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Setembro Amarelo: Dança como prevenção a transtornos mentais

Convidamos a psicologa Maria Cristina Lopes para falar um pouco mais desse assunto. Confira.

Uma iniciativa do CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o Setembro Amarelo, desde 2015, estimula a sociedade a dialogar e enfrentar de frente o grande tabu do suicídio. O mês de setembro foi escolhido para a campanha, pois é justamente no dia 10 de setembro o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Na grande maioria das vezes, o comportamento suicida está diretamente relacionado a transtornos mentais, em especial a depressão e o transtorno afetivo bipolar.

Para falar um pouco mais sobre esse assunto e, de que forma a dança pode se tornar uma poderosa aliada no combate aos transtornos mentais, convidamos a psicóloga Maria Cristina Lopes, especialista em Psicologia na Dança, para uma coluna especial para o blog.

por Maria Cristina Lopes

''A depressão é um dos principais transtornos que podem levar a ideias e comportamentos suicidas. Outros transtornos também podem levar ao suicídio, como transtornos de humor, transtornos de ansiedade, entre outros. Ainda outras questões podem levar ao suicídio, como o desemprego.

No mês de prevenção do suicídio (Setembro Amarelo) precisamos compreender de que maneira a dança se relaciona com a depressão e possivelmente com a prevenção ao suicídio. Por questões de saúde pública é interessante buscar entender novas intervenções possíveis para a prevenção do suicídio. Para as pessoas que sofrem com depressão é interessante saber sobre as possibilidades terapêuticas.

Neste sentido, a dança já foi alvo de estudos sobre os efeitos na depressão. Em recente estudo (Overdorf, Kollia, Makarec & Alleva Szeles, 2016) 11 mulheres participaram de exercícios por seis semanas. Seus escores em questionários de depressão foram mensurados antes e depois da intervenção. Aquelas que participaram de aulas de dança tiveram os menores escores na segunda mensuração.

Muitos estudos com métodos e objetivos similares encontraram os mesmos resultados, como a pesquisa conduzida por Akandere e Demir (2011). Neste estudo, 60 estudantes entraram em programa de treinamento em dança por 12 semanas e os escores de depressão diminuíram significativamente após este período enquanto que o grupo controle manteve os mesmos escores.

No entanto, algumas questões do contexto da dança também podem levar a problemas psicológicos, como insatisfação com o corpo (Dantas, Alonso, Sánchez-Miguel & del Río Sánchez, 2018). Uma questão importante que pode levar a insatisfação corporal e por fim a transtornos alimentares é: influência do professor. Neste estudo, bailarinos com maior possibilidade de desenvolver problemas alimentares relataram a influência do professor como questão chave para a insatisfação com o corpo.

Isto revela a importância do treinamento contínuo do professor de dança para a prevenção de problemas com o corpo e com a alimentação. Portanto, para poder colher os benefícios da dança o contexto onde o aluno está inserido deve ser saudável. Para contextos saudáveis a dança poderia funcionar como forma de prevenção à depressão e possivelmente ao suicídio em alguns casos.

Além destes estudos, podemos entender de que maneira a dança pode ajudar pessoas através do relato de bailarinos. Luiza Rallo Jardim traz a sua história com a dança e de que maneira a ajudou a lidar com questões emocionais.

“Ei Maria Cristina!! Acho sua carreira incrível. Sou dançarina do grupo Sarandeiros, de danças folclóricas, daqui de Belo Horizonte. Eu entrei no grupo quando eu tinha 10 anos, no projeto para crianças que eles têm na escola onde eu estudava. Sério, me encontrei na dança e faço disso minha realização até hoje, pois, logo após me formar no 3° ano, fui convidada a dar aulas onde sempre fui aluna... E até hoje estou nessa jornada que tanto amo. A dança é realmente transformadora.️

Falar e trabalhar a influência da dança na vida das pessoas é uma fonte de prazer imenso, porque não há dúvidas de que a dança é extremamente benéfica. E eu pude perceber isso através da minha própria experiência, pois comecei a dançar logo depois do meu pai falecer...  Eu ainda era muito nova, tinha apenas 10 anos, e não tinha nem noção do que estava acontecendo. Porém, tenho a consciência de que a dança me "blindou" em relação aos sentimentos ruins e de perda.

A minha relação com a dança começou com a minha entrada no grupo Sarandeiros, de danças populares, em um projeto que eles têm no colégio onde estudei. De lá para cá, já se passaram 17 anos e o grupo cresceu muito, e hoje já tem projetos em mais de 10 escolas de Belo Horizonte, além do grupo adulto que tem vínculo com a UFMG. Desde aquela época, meu sonho passou a ser integrar o grupo adulto quando eu crescesse. E ter esse foco, essa dedicação, naquele momento me fez enxergar além e ver que eu tinha várias possibilidades na vida, mesmo tendo passado por perdas. Isso tudo aconteceu de maneira imperceptível, natural, tal como os passos no corpo quando a gente se acostuma a fazê-los. Ter esse apoio incondicional na dança me fez crescer. O grupo me fez amadurecer, criar engajamento, me empoderar como pessoa. E esses ganhos eu tenho certeza de que não encontraria em canto algum!

Eu, de fato, me encontrei na dança e faço disso minha realização até hoje. Não sou uma dançarina profissional, não sou a melhor do mundo dançando, mas não é isso que importa. O que importa ali é o amor, a dedicação e a paixão, e o quanto isso acalma meu coração independente do momento.

E tudo ocorreu como eu sempre sonhei, aliás, ainda melhor: logo após me formar no colégio, fui convidada a dar aulas onde sempre fui aluna... E até hoje estou nessa jornada que tanto amo. A dança é realmente transformadora e eu me realizo muito vendo meus alunos tendo a mesma paixão que eu!!”

Portanto, no mês de prevenção do suicídio, Setembro Amarelo, é importante percebermos o impacto da dança para pessoas com depressão sendo este um dos principais transtornos que levam ao suicídio. Pensar sobre a dança também é pensar sobre a saúde na dança.''

 

Maria Cristina Lopes | Psicóloga da dança CRP5/47829

Maria Cristina Lopes. Sou formada pela PUC-Rio e mestranda pela Universidade de Coimbra. Trabalho com a dança desde 2013 e desenvolvi o 1º curso de psicologia da dança do Brasil em 2016. Sou defensora da área de psicologia da dança, atendo bailarinos, ofereço consultoria para escolas e companhias e capacito professores e psicólogos nesta área promissora.

www.mariacristinalopes.com | mariacristinalopes@gmail.com | 21993053432

Page: @balletsemestresse | Instagram: @marialopescristina 

Referências:

Overdorf, V., Kollia, B., Makarec, K., & Alleva Szeles, C. (2016). The relationship between physical activity and depressive symptoms in healthy older women. Gerontology and Geriatric Medicine, 2.

Akandere, M., & Demir, B. (2011). The effect of dance over depression. Collegium antropologicum, 35(3), 651-656.

Dantas, A. G., Alonso, D. A., Sánchez-Miguel, P. A., & del Río Sánchez, C. (2018). Factors Dancers Associate with their Body Dissatisfaction. Body image, 25, 40-47.

Telefones Uteis:

Contato do Centro de Valorização da Vida (CVV). O serviço é anônimo, gratuito e atende em todo o país. É possível falar por diferentes meios:

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